A minha coluna não dobra ao ponto da deformação, isso faz com que os músculos que a suportam fiquem a doer mas o certo é que a gaja mantém-se direita - apesar da barriga e dos esforços - surpreendendo os médicos. E porque a minha coluna não dobra, ontem tive de passar deitado a parte do dia em que era suposto estar de cima para um teclado a mandar bitaites. Por exemplo sobre a manifestação vestida de branco. Enganei as dores apenas para anunciar, e brincar, com a Todos pela Liberdade, mas não consegui explicar mais a sério a minha posição sobre a manif, as tramas do Estado (e quem está de turno), os seus promotores e a liberdade de imprensa, para chegar a uma conclusão: Nem aceito a forma como o Estado se imiscui, nem aceito os pressupostos da manif, num post com o título "Nem-nem". Isto de ter uma coluna que não deforma tem que se lhe diga.
Hoje, já refeito, percebo que não vale a pena já escrever o texto e me basta colocar links dos posts da Joana Lopes, do Miguel Serras Pereira, do Rui Tavares e sobretudo do Zé Neves e do pessoal do Arrastão. ACT: E esta crónica do Manuel António Pina e, já agora, esta
Também eu acho que os documentos revelados pelo "Sol" põem uma questão política e não jurídica, e também que essa questão é a da liberdade de informação. Como o foi - o meu mal é andar por jornais há muito tempo - quando, sem desfiles de branco, Marques Mendes ditava à RTP o alinhamento do Telejornal e Cavaco procurava calar o "Independente", ou quando o PCP fez o mesmo à "República". Depois, quero crer que direitos políticos, económicos e sociais são inseparáveis, que não há liberdade sem igualdade nem igualdade sem liberdade. Já o "vestidos de branco" é folclore; prezo de mais a singularidade e a individualidade para gostar de fardas.

